
A maior operação contra o crime e o oportunismo de Tarcísio de Freitas
O tamanho histórico da operação
A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Receita Federal e forças estaduais, deflagrou ontem, quinta-feira a maior operação de combate ao crime organizado da história do Brasil. A “Carbono Oculto” desvendou uma engrenagem bilionária: o PCC infiltrado no coração da Faria Lima, operando por meio de fundos de investimento, fintechs e grandes empresas do setor de combustíveis. São cerca de 40 fundos de investimento envolvidos, movimentando mais de R$ 52 bilhões. O alvo, portanto, não era apenas o submundo das facções, mas o andar de cima do capital financeiro nacional.
O oportunismo do governador de São Paulo
Em vez de reconhecer o papel da PF e do governo federal na condução dessa megaoperação, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) correu às redes sociais para se apropriar do feito. Em seu post, tentou vender a ideia de que a ação era obra do GAECO e das polícias de São Paulo, como se fosse uma façanha exclusiva de sua gestão.
Mais grave ainda: em todo o texto, não mencionou uma vez sequer a Faria Lima ou o mercado financeiro. O governador, que tem nesses setores seus maiores apoiadores políticos e potenciais financiadores de um projeto presidencial, preferiu dourar a narrativa, escondendo a ligação entre seus aliados econômicos e o PCC.
O silêncio cúmplice sobre a Faria Lima
Essa escolha não é trivial. A operação expôs a promiscuidade entre crime organizado e elites econômicas, desmontando a velha narrativa bolsonarista de que “o PCC estava junto do PT”. Durante anos, essa acusação foi repetida como mantra pela extrema direita. Hoje, porém, a realidade bateu à porta: o PCC nunca esteve com o PT, esteve na Faria Lima.
Ao omitir esse detalhe central, Tarcísio mostra que sua lealdade não é ao enfrentamento real do crime, mas à manutenção da blindagem do “mercado” que o projeta como presidenciável para 2026.
O papel das fake news e a colaboração indireta com o PCC
Outro ponto revelado pela operação foi a sabotagem promovida pela extrema direita. Uma medida da Receita Federal que ampliaria a fiscalização sobre fintechs — justamente o canal usado pelo PCC para lavar dinheiro — foi adiada após uma onda de fake news liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Seu vídeo distorcendo a medida como “taxação do Pix” paralisou a norma, criando brechas para a facção. O episódio mostra como a desinformação bolsonarista ajudou, na prática, o crime organizado.
Conclusão: a máscara caiu
A Operação Carbono Oculto inaugura um novo marco: revelou que o crime organizado não é apenas periferia, é também planilha de Excel e corretora de valores.
O oportunismo de Tarcísio em se apropriar da operação e o silêncio estratégico sobre a Faria Lima expõem o paradoxo da extrema direita: acusa o PT de cumplicidade com o crime, mas é cúmplice ao acobertar quando os laços envolvem seus financiadores.
E agora, fica a pergunta que ecoa nas redes:
Se o PCC está na Faria Lima, quem vai ter coragem de falar?
Porque, no fim das contas, o governador ficou mais apertado que calça de dançarino de forró: não pode citar a Faria Lima sem cutucar seus aliados e tampouco pode ignorar a grandiosidade de uma operação conduzida pelo governo federal.
Josias Gomes Deputado Federal do PT/Bahia
Vice-líder do PT na Câmara
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