Música Boa é Atemporal: Uma Homenagem aos Artistas que Carregam Nossa Identidade
Meus amigos e minhas amigas, todos sabem da minha verdadeira veneração pela cultura nordestina e pelo nosso amado forró. Por isso, trago a vocês esta preciosa análise da jovem Camila “Preta Letrada”, que discorre com propriedade sobre o gênero musical, desde o mestre Luiz Gonzaga e Dominguinhos até a sensação do momento: o trio João Gomes, Mestrinho e Jotapê, com a obra “Dominguinho”.
A análise de Camila vai além de uma linha do tempo do forró e trata de questões socioculturais que ajudam a explicar como a indústria cultural sudestina sempre tentou rotular a cultura nordestina. Muito embora alguns artistas, ao longo do tempo, tenham cedido à “força da grana”, os artistas genuínos nunca aceitaram cabresto. A arte que resiste ao tempo é justamente aquela que inova sem perder suas raízes.
Luiz Gonzaga sofreu preconceitos de toda natureza, mas consolidou-se como o primeiro artista pop do Brasil e patrimônio imaterial da cultura nacional. Seu discípulo Dominguinhos seguiu seu legado com a mesma originalidade do mestre. E quando muitos davam como certa a morte do forró raiz, o trio João Gomes, Mestrinho e Jotapê canta em alto e bom som que música boa é atemporal.

O Nordeste é a matriz da cultura brasileira; esta afirmação não é bairrista, é uma constatação histórica. A análise de Camila ajuda a compreender a potência da arte produzida em nossa região e a dialogar com aqueles artistas que mergulham em nossa cultura sem o afã do sucesso a qualquer custo. Estes são merecedores de levar adiante o legado da cultura nordestina, que se impõe e conquista o Brasil.
Destaco mais um ponto central deste debate: como é essencial termos boas referências em tempos em que tudo parece tão efêmero. Daí a importância de o poder público e a sociedade preservarem e fomentarem a nossa cultura. O mercado sempre será norteado pelas cifras; quem tem o poder de mudar essa rota somos nós. É nosso dever fazer com que mais projetos como “Dominguinho” possam ser semeados no Nordeste e no Brasil. Mais vale um movimento que atravesse o tempo do que um sucesso arrebatador que se torne uma ilha.

Viva os artistas nordestinos e brasileiros que não esquecem suas raízes! Já provamos que música boa pode e deve ser popular.
Josias Gomes