“Casa de Mainha”: arquitetura nordestina conquista o mundo e leva prêmio internacional
O prêmio internacional conquistado pelo arquiteto pernambucano Zé Vagner, natural de Feira Nova, vai muito além de um reconhecimento individual: representa um marco simbólico para a arquitetura brasileira que nasce fora dos grandes centros e dialoga diretamente com a vida real do povo.
Seu projeto “Casa de Mainha” vencedor do ArchDaily Building of the Year Awards 2026, não é uma obra monumental nem luxuosa, mas a reforma da casa de sua própria mãe, construída há mais de quarenta anos no Agreste pernambucano. É justamente nessa simplicidade que reside sua grandeza.
Escolhido por votação internacional envolvendo profissionais e leitores de diversos países, o prêmio revela uma mudança importante: o mundo passa a valorizar soluções arquitetônicas enraizadas na cultura local, sustentáveis e socialmente comprometidas.

A vitória de Zé Vagner também carrega um forte significado cultural. Ela desloca o olhar tradicionalmente voltado às grandes capitais e afirma que a inovação pode nascer do interior, da memória afetiva e das necessidades reais das pessoas.
No fundo, o reconhecimento consagra uma ideia essencial: arquitetura não é apenas construir espaços, mas produzir pertencimento, identidade e humanidade. Quando uma casa simples do Nordeste conquista o mundo, é uma forma brasileira de viver que ganha reconhecimento universal.
Josias Gomes
Conselheiro do TCE/BA
