Maria Quitéria: a mulher que desafiou seu tempo
Maria Quitéria de Jesus Medeiros, a sertaneja de São José das Itapororocas, então pertencente à Feira de Santana, na Bahia, ousou desafiar o patriarcado para fazer história e se tornar uma das heroínas da Guerra de Independência do Brasil na Bahia (1822–1823). Se hoje temos mulheres ocupando espaços antes dominados por homens, sobretudo no meio militar, devemos muito a personalidades históricas como Maria Quitéria, que pegou em armas em nome da liberdade.
Imagine a coragem e a determinação de uma jovem nascida no meio rural, onde aprendeu a montar, caçar e manejar armas, que, contrariando a vontade paterna e enfrentando o preconceito social, desafiou toda aquela estrutura a ponto de abrir mão da vaidade, cortar os cabelos, vestir um uniforme masculino e fugir de casa para combater ao lado do Exército Brasileiro. Uma trajetória muito bem apresentada pelo Voz Baiana.
Durante muito tempo, houve um apagamento histórico da trajetória de Maria Quitéria, inclusive na própria Bahia. Mas o povo não esqueceu seus feitos, e ela passou a ser reconhecida tanto em seu estado de origem quanto em dimensão nacional. Desde 1996, é considerada patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro e, em 2018, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, em Brasília.
Todos os anos, no 2 de Julho, data magna da História da Bahia, Maria Quitéria é reverenciada por baianos e baianas de todas as gerações. É um justo reconhecimento a quem arriscou a própria vida, desafiou o seu tempo e lutou pela emancipação do Brasil, provando que as mulheres podem ocupar todos os espaços possíveis, inclusive a linha de frente do Exército Brasileiro.

Viva Maria Quitéria! Você ajudou a forjar a Terra da Liberdade!
Josias Gomes
Engenheiro Agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia.
