Salvador 1813: centro político, econômico e cultural do período colonial
Ricardo Pimentel, um dos assessores que trabalha comigo há mais de duas décadas, enviou-me este vídeo que é, ao mesmo tempo, documento histórico e convite à reflexão: um retrato de Salvador no ano de 1813.
Em poucos minutos, somos conduzidos a uma cidade que ainda guardava o peso de ter sido capital do Brasil por mais de dois séculos, centro político, econômico e cultural do período colonial. Salvador do início do século XIX era um grande porto atlântico, elo fundamental entre a Europa, a África e o interior do Brasil, por onde circulavam mercadorias, ideias, crenças e pessoas — livres e escravizadas.
A cidade pulsava com intensa vida urbana: o comércio movimentado, os sobrados, os mercados, as igrejas, os conventos e as ladeiras revelavam uma sociedade profundamente marcada pela presença africana, pela economia escravocrata e por fortes contrastes sociais. Ao mesmo tempo, Salvador era um polo de produção cultural, religiosa e intelectual, onde tradições africanas, indígenas e europeias se misturavam e moldavam costumes, linguagens, festas populares e formas de resistência.

Assistir a esse vídeo é reencontrar uma Salvador que já anunciava, ainda sob as tensões do século XIX, as transformações que viriam com a Independência, as lutas por liberdade, o fim do tráfico negreiro e, mais tarde, a abolição da escravidão. É também reconhecer as raízes profundas da identidade baiana e brasileira, forjada na diversidade, na criatividade e na capacidade de resistência do seu povo.

Vale muito a pena assisti-lo. Manter viva a memória de Salvador é compreender o Brasil, suas contradições, sua riqueza cultural e sua história marcada por dor, luta e esperança.
Josias Gomes
Conselheiro do TCE-BA