20 de outubro — Dia do Poeta, no país da poesia
No Dia do Poeta, homenageamos os artistas das palavras com o poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Escrito em 1954, o poema do pernambucano consegue, como poucos, denunciar a vida sofrida e o destino inglório de muitos nordestinos em meados do século passado, marcados por raízes históricas que contribuíram para a formação de um país social e regionalmente desigual.
“Somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida.”
A poesia captada pelos poetas brasileiros ultrapassa a esfera artística e impacta diretamente a construção histórica, sociológica e cultural do país. Nomes como João Cabral de Melo Neto, Patativa do Assaré, Cora Coralina, Carolina Maria de Jesus, Adélia Prado, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Sérgio Vaz, Vinicius de Moraes, Hilda Hilst, Castro Alves, Cecília Meireles, Paulo Leminski e tanta gente boa, consagrada ou anônima, fizeram do Brasil um dos países mais potentes no universo das letras.
Homenagear verdadeiramente os poetas é lutar por um Brasil onde os livros, a educação, as artes e a cultura sejam prioridades. Afinal, poetas podem até nascer em tempos “severinos”, na aridez do sertão ou na solidão das favelas. Mas o que mantém viva a tradição de um povo que pensa, escreve e promove as transformações necessárias é a garantia das condições materiais para que nossas crianças e nossos jovens possam florescer por meio da educação e da cultura.
O Brasil precisa de poesia, ainda mais em tempos extremistas. Afinal, a palavra é uma das nossas primeiras portas de entrada para a leitura do mundo. Não se trata apenas de palavras que formam códigos de comunicação, mas daquelas que despertam consciências e tocam mentes e corações de uma maneira que somente a poesia consegue alcançar.

Corre nas veias dos poetas a aurora de novos tempos. Eles denunciam o que fomos e anunciam o que podemos ser enquanto civilização, para que nenhum brasileiro precise reviver a sina de Morte e Vida Severina.
Independentemente de tudo, a poesia sobreviverá. É preciso lê-la, compartilhar as obras dos nossos poetas e abrir espaço para aqueles que ainda virão. O Brasil, em si, é um poema em construção.
Quais versos você escolhe declamar?
Josias Gomes
Engenheiro agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia.
