A força atemporal de “Filho do Dono”
É preciso respeitar Petrúcio Amorim e Flávio José! Vejam a análise perfeita feita por Glauber Dantas sobre a música “Filho do Dono”, uma das letras mais impactantes não somente do forró, como também da música brasileira.
A crítica de Petrúcio denuncia as mazelas sociais e ambientais, a tal ponto de ele mesmo sentenciar:
“Não tem verso nem poesia / Que console um cantador”. “Filho do Dono” é uma música atemporal porque tem a sagacidade de criticar tamanha injustiça que aflige os seus semelhantes, mas, ao mesmo tempo, não se exime da autocrítica, pois até mesmo o “Filho do Dono” carrega a culpa cristã diante da impotência perante as adversidades vividas pelos sertanejos e, ao mesmo tempo, por cada pessoa e país, vítimas do ataque sistemático ao meio ambiente, que coloca em xeque o futuro da humanidade.
O forró, por ser um gênero musical que traz ricas memórias afetivas e nos dá o prazer da dança acompanhada, muitas vezes faz com que denúncias como as vistas em “Filho do Dono” passem despercebidas perante o grande público. Mas a verdade é que, desde Luiz Gonzaga, nossos compositores sempre denunciaram o abandono por parte da elite econômica e política no Brasil profundo, sobretudo no Nordeste.
Essa “canetada” de Petrúcio Amorim mostra por que ele é um dos maiores compositores vivos do Brasil, e a sua música ganha dimensão ainda maior na voz de Flávio José. Em tempos de Copa do Mundo, podemos dizer que os dois são camisas 10, jogando em alto nível pela seleção do forró.
Josias Gomes
Devoto de Padim Ciço e orgulhoso de ser nordestino.
