Alvissareiro Alceu Valença: 80 anos de arte, luz e memória
No dia 1º de julho de 1946, na cidade de São Bento do Una, em Pernambuco, uma estrela do Oriente anunciava a chegada de Alceu Paiva Valença, o menino que se apaixonaria pelos cantadores de feira e elegeu como sua artística trindade Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Marinês. Sem jamais negar a sua terra natal, escolheu Olinda para construir o seu Olimpo musical.
Em seu aniversário de 80 anos, a lindíssima e carnavalesca Cidade Alta foi saudar o filho ilustre no melhor estilo “Maluco Beleza”. Um merecido carnaval fora de época para o artista que levou o nome da cidade, do Estado de Pernambuco e do Nordeste para o mundo com suas composições e músicas que captam o espírito alegre, libertário e poético do povo pernambucano. Foi uma das homenagens mais belas e merecidas que um artista atemporal pode receber aos 80 anos — e reagir espontaneamente com a energia de 20.
Eu, que diariamente defendo a nossa história e a importância da memória coletiva, antes de tudo valorizo as homenagens em vida, quando o personagem ainda está no palco para ver o brilho nos olhos do público e receber a devida gratidão das pessoas tocadas por uma arte que faz da vida uma Anunciação mais esperançosa. Alceu Valença ultrapassou o campo da música e se tornou um movimento cultural formado por quem o segue e por aqueles a quem Alceu também joga luz.
Alceu está catalogado “em frente a um certo Bar Leblon”.
No “Batom vermelho, girassol”.
“Num domingo azul de Boa Viagem”.
“Na morena tropicana”.
“Usando tintas e cores do imaginário”.
Viva Alceu Valença, 80 anos!
Que venha o centenário, com o poeta na sacada
e a multidão nas ruas de Olinda a cantar a sua obra alvissareira.

Josias Gomes
Devoto de Padim Ciço e orgulhoso de ser nordestino
