O poder incomparável da poesia
Aryel Freire declamou versos que representam não somente a sua relação afetiva e familiar, mas também um poema que conta a história de milhões de brasileiros e brasileiras que tiveram pais maravilhosos, responsáveis diretos por quem somos. Aí reside toda a magia da poesia.
Quanto orgulho do Nordeste, berço de poetas que valorizam nossas origens e interpretam a alma dos nordestinos. Que a literatura e os leitores valorizem cada vez mais aqueles que dedicam a vida a fazer pulsar a nordestinidade.
Ao ouvir a declamação de Aryel, recordei-me de uma reflexão do poeta Paulo Leminski, feita em 1985, no documentário Ervilha da Fantasia, de Werner Schumann. Leminski tratou do amor dos povos pelos poetas e da necessidade vital que a sociedade tem daqueles que traduzem o inexplicável:
“Todos os povos amam seus poetas. Eu não sei se todos os povos amam seus cientistas, mas todos os povos amam seus poetas. No Brasil, poetas como Vinicius de Moraes, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Milton Nascimento e seus parceiros são pessoas amadas. Os poetas são amados por milhões. Por que os povos amam seus poetas?
É porque os povos precisam disso. Os poetas dizem uma coisa que as pessoas precisam que seja dita. O poeta não é um ser de luxo, ele não é uma excrescência ornamental, ele é uma necessidade orgânica de uma sociedade. A sociedade precisa daquilo, daquela loucura para respirar. É através da loucura dos poetas, através da ruptura que eles representam, que a sociedade respira.”
— Paulo Leminski
O Brasil é um país de muitas contradições. Talvez, aqui, convivam o melhor e o pior que uma nação possa ter. Por isso, temos poetas e letristas incomparáveis. Nossa arte é admirada e respeitada no mundo.

Portanto, ver surgir novos poetas e artistas que têm a verdadeira noção do que é a cultura e da profundidade que ela alcança em nossas vidas enche meu coração de felicidade.
Parabéns, Aryel, e aos demais parceiros da “Farra dos Poetas”. Em seus versos, rememorei, com emoção, meus saudosos pais. Este é o verdadeiro e incomparável poder que só existe na arte.
Viva a poesia!
Josias Gomes
Engenheiro agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia.
