Bárbara de Alencar, a libertadora do Crato!
E vem do Nordeste uma das primeiras mulheres presas por motivos políticos no Brasil: Bárbara de Alencar, conhecida como Dona Bárbara do Crato. Nascida em Exu, Pernambuco, mesma cidade do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, ela marcou seu nome na história ao participar da Revolução Pernambucana de 1817, na região do Cariri, no Ceará, e da Confederação do Equador, em 1824.
Apesar de o vídeo destacar que Bárbara foi a primeira presa política do Brasil, essa informação é questionada por alguns historiadores, já que outras mulheres negras e indígenas também teriam participado das insurreições do período. Isso, no entanto, não diminui em nada a importância de Bárbara de Alencar nas lutas independentistas e republicanas do Brasil.
Vale destacar que ela era uma fazendeira e comerciante de muito prestígio social na região do Cariri. Mesmo assim, arriscou perder tudo e decidiu lutar contra a exploração da Coroa Portuguesa, que impunha altos impostos e penalizava fortemente a população.
A consciência política de Bárbara foi influenciada pelas ideias de pensadores iluministas como Voltaire, Montesquieu e Rousseau, apresentadas a ela pelo renomado médico, cientista, botânico e intelectual iluminista Manuel de Arruda Câmara. Essas referências fizeram dela uma admiradora e ativista da causa libertária no Brasil e da luta pelo fim da monarquia.
E ninguém pode dizer que ela não respirou os ares da liberdade, ainda que por pouco tempo: Bárbara participou da experiência republicana no Crato e, segundo registros históricos, exerceu a presidência da República do Crato por oito dias.

A importância de Bárbara de Alencar nas lutas republicanas não se resume à sua própria atuação. Ela também foi mãe dos revolucionários José Martiniano de Alencar, uma das lideranças da Revolução de 1817 e pai do escritor cearense José de Alencar, e Tristão Gonçalves de Alencar, que comandou a Confederação do Equador no Ceará.
Ou seja, Dona Bárbara está no centro de uma família que participou das lutas por um Brasil republicano e que legou ao país um dos maiores nomes da literatura brasileira: José de Alencar.

Bárbara de Alencar desafiou não somente a Coroa Portuguesa, mas também a lógica de uma época em que os homens concentravam praticamente todo o poder e protagonismo político. Por ser uma mulher revolucionária, viúva, chefe de família e comerciante notável, foi chamada de “mulher-macho” por seus opositores. Uma demonstração de que a violência de gênero contra mulheres na política não é recente: ela atravessa a história do Brasil e, de diferentes formas, persiste até os dias atuais.
Reconhecimento póstumo
Em 2012, Bárbara de Alencar entrou para o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Quase dois séculos após sua morte, em 1832, recebeu finalmente o reconhecimento oficial de sua importância histórica. Posteriormente, pela Lei nº 13.056, de 22 de dezembro de 2014, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.
Entre outras homenagens concedidas a esta heroína nacional, estão:
* Em 11 de fevereiro de 2005, foi lançada pelo Centro Cultural Bárbara de Alencar a “Medalha Bárbara de Alencar”. Anualmente, três mulheres são agraciadas com a medalha por suas ações em benefício da sociedade.
* O centro administrativo do Governo do Ceará recebeu o nome de Centro Administrativo Bárbara de Alencar.
* Em Fortaleza, existe uma estátua da heroína situada na Praça da Medianeira, na Avenida Heráclito Graça, próxima ao Ginásio Paulo Sarasate.
* Em 2008, o compositor cratense Abidoral Jamacaru lançou o álbum Bárbara, em homenagem a Bárbara de Alencar.
* O pintor Ernane Pereira é o autor das imagens publicadas nesta página, produzidas em 2009.
* A Fundação Demócrito Rocha produziu uma série de documentários sobre personalidades cearenses, e Bárbara de Alencar foi a segunda personagem histórica a ser homenageada.
Bárbara de Alencar é símbolo da mulher nordestina guerreira, e sua história reafirma a participação do Nordeste nas lutas pela liberdade, pela independência e pela construção de um Brasil republicano.
Por isso, quando falarmos em independência do Brasil, jamais podemos esquecer figuras como Dona Bárbara, mulher de coragem, determinação e sabedoria, que ousou desafiar o poder de seu tempo.

Bárbara de Alencar, a libertadora do Crato!
Josias Gomes
Engenheiro agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia.
