Chico Boiadeiro, 85 anos de uma vida construída com trabalho, dignidade e amizade
Uma homenagem a um homem que fez da honestidade sua maior riqueza, da família seu patrimônio mais precioso e da amizade um compromisso para toda a vida.
Há homens cuja história não precisa ser contada a partir dos grandes acontecimentos. Basta observar a vida que construíram, a família que formaram, os amigos que conquistaram e o respeito que despertam na comunidade onde fincaram suas raízes. São homens que, sem fazer alarde, deixam marcas profundas na terra e, sobretudo, na memória das pessoas.
Chico Boiadeiro é um desses homens.
Neste outubro, celebramos seus 85 anos de vida. Oitenta e cinco anos que não podem ser medidos apenas pela passagem do tempo, mas pela extensão de uma caminhada marcada pelo trabalho, pela perseverança, pela dignidade e pelo compromisso com os valores que dão sentido à existência humana.
Em Medeiros Neto, no extremo sul da Bahia, seu nome está associado à história da pecuária, à vida nas fazendas e à tradição de uma região onde o trabalho rural desempenhou papel importante na formação econômica e social de suas comunidades.
Chico pertence a uma geração de homens para quem o trabalho nunca foi simplesmente uma atividade econômica. Era uma maneira de estar no mundo. Acordar cedo, acompanhar o gado, cuidar da propriedade, enfrentar as dificuldades de cada estação e compreender que a terra exige paciência e dedicação fizeram parte de sua longa caminhada.

Mas sua vida dedicada ao trabalho representa muito mais do que perseverança e capacidade de produzir. Representa a construção de uma reputação ilibada, conquistada ao longo de décadas, pela maneira de tratar as pessoas, pelo respeito aos compromissos assumidos e pela dignidade com que sempre conduziu sua existência.
Essa talvez seja uma das maiores riquezas que Chico acumulou em seus 85 anos.
A família, seu maior patrimônio
Seria impossível falar de Chico Boiadeiro sem falar da família que construiu ao lado de sua companheira, dona Elia.
Juntos, formaram uma família numerosa, querida e profundamente ligada à vida de Medeiros Neto. Seus filhos seguiram diferentes caminhos, mas conservaram os valores recebidos dos pais, dando continuidade a uma história de trabalho, união e participação na comunidade.
Entre eles está Maria Aparecida, nossa querida Cida Boiadeiro, que encontrou na política uma maneira de servir à população. Depois de exercer o mandato de vereadora, ampliou sua trajetória pública e atualmente ocupa o cargo de vice-prefeita de Medeiros Neto.
Luciana, Tânia, Tatiane e Fabiane também fazem parte dessa bela história familiar, cada uma contribuindo, à sua maneira, para preservar os vínculos e os ensinamentos recebidos.
E há a lembrança sempre presente de Roberto Boiadeiro, o querido Robertinho, que partiu precocemente, em setembro de 2020, aos 54 anos, vítima das complicações da Covid-19.
A perda de um filho é uma dessas dores para as quais a vida não oferece explicações suficientes. Robertinho, entretanto, permanece vivo na memória da família, dos amigos e nas homenagens que continuam celebrando sua trajetória ligada à pecuária.

Imagino quantas histórias cabem nas reuniões dessa família. Quantas lembranças das dificuldades superadas, das conquistas, das festas, dos momentos felizes e também das ausências que o tempo não consegue apagar.
A família Boiadeiro é, sem dúvida, uma das mais belas realizações de Chico e dona Elia.
Da política nasceu uma amizade para toda a vida
Minha aproximação com essa família aconteceu pelo mundo da política.
Conheci Cida Boiadeiro quando ela ainda era vereadora de Medeiros Neto. Nossa convivência começou nas conversas sobre os problemas do município, os desafios enfrentados pela população e as possibilidades de contribuir para o desenvolvimento daquela região.
A política, quando exercida com espírito público, tem essa virtude extraordinária: aproxima pessoas, permite conhecer diferentes realidades e, muitas vezes, cria relações humanas que sobrevivem aos mandatos, às eleições e às circunstâncias partidárias.
Foi exatamente o que aconteceu conosco.
A relação política que estabelecemos com Cida, pouco a pouco, ultrapassou os limites da atividade pública. A confiança foi crescendo, os encontros se tornando mais próximos, até que aquela convivência se transformou numa verdadeira amizade familiar.
Passei a conhecer seus pais, seus irmãos e a compreender os fortes laços de afeto que unem aquela família.
Hoje, posso dizer com alegria e orgulho que sou amigo da família Boiadeiro.
E guardo uma lembrança especialmente carinhosa de Chico.
Toda vez que eu estava naquela região do extremo sul da Bahia, ele fazia questão de ir me encontrar.
Não importava a agenda ou a circunstância. Chico sempre encontrava uma maneira de estar presente, conversar, renovar o abraço e demonstrar, com a naturalidade dos homens sinceros, que nossa amizade permanecia firme.
Esse gesto, aparentemente simples, sempre teve para mim um significado muito especial.
Porque amizade não se mede apenas pelas palavras que pronunciamos. Mede-se pela disposição de estar perto, pelo interesse verdadeiro na vida do outro e pela alegria do reencontro.
Chico nunca precisou de grandes manifestações para demonstrar sua amizade. Bastava sua presença.
E eu sempre soube reconhecer o valor daquele gesto.
Uma vida reconhecida por sua comunidade
A trajetória de Chico Boiadeiro também se entrelaça com a história de Medeiros Neto, município cuja formação econômica guarda vínculos importantes com a atividade agropecuária.
Ao longo de sua vida, Chico acompanhou transformações na região, mudanças na economia rural e o crescimento de sua cidade. Mas conservou aquilo que considero essencial: a simplicidade no relacionamento com as pessoas e a fidelidade aos valores que orientaram sua caminhada.
O reconhecimento conquistado ultrapassou os limites da fazenda e da atividade pecuária.
Medeiros Neto prestou-lhe uma homenagem significativa ao dar seu nome ao Centro de Eventos Chico Boiadeiro, espaço destinado às celebrações e aos encontros da comunidade.
Considero especialmente bonito quando uma cidade reconhece seus personagens ainda em vida, permitindo que recebam pessoalmente o carinho e a gratidão de seus conterrâneos.
Afinal, uma reputação respeitada não se constrói por acaso. É resultado de uma vida inteira de atitudes, compromissos e relações humanas.
Chico, meu querido amigo!
Chegar aos 85 anos é uma conquista extraordinária. Mas alcançar essa idade cercado pelo carinho da família, pelo respeito da comunidade e pela amizade de tantas pessoas é uma conquista ainda maior.
Chico, meu querido amigo, celebrar sua vida é também uma oportunidade de agradecer pela amizade que construímos.
Nossa convivência começou por intermédio de Cida e da política, mas a vida se encarregou de transformar aquela aproximação numa relação de afeto que hoje envolve toda a sua família.
Tenho um carinho enorme por você, por dona Elia, por Cida e por todos os seus filhos e familiares.
Guardo com gratidão cada encontro que tivemos, cada conversa e, sobretudo, sua disposição permanente de me procurar quando eu estava por perto.
São essas lembranças que permanecem.
Você dedicou sua vida ao trabalho, mas sua maior realização talvez esteja naquilo que o trabalho, sozinho, não consegue produzir: uma família querida, um nome respeitado e amigos que reconhecem sua integridade.
Que a vida continue lhe oferecendo saúde, serenidade, alegria e muitos anos de convivência com aqueles que tanto o amam.
Que não faltem os encontros familiares, as boas conversas, as histórias compartilhadas e os abraços dos amigos.
E que você continue sendo esse homem simples na convivência, grande no caráter e generoso na amizade.
Chico Boiadeiro, vida longa a você!
Receba meu abraço fraterno, minha admiração e meu carinho.
Você é um cabra bom, Chico! Um cabra bom de verdade!
Josias Gomes
