A eterna paixão pelo cinema
A Bahia de nomes consagrados do cinema, como Glauber Rocha, Roberto Pires, Walter da Silveira, Glenda Nicácio, Ary Rosa, Chica Xavier, Jurema Penna, Helena Ignez, Wagner Moura, Lázaro Ramos, Othon Bastos, João Miguel e tanta gente boa que ajudou a construir o cinema nacional, bebeu na fonte dos cinemas de rua, que eram verdadeiras paixões dos brasileiros.
No início do século XX, nasceram cinemas imponentes, como podemos ver em Salvador, com os cines Guarany, Excelsior e Jandaia. O amor pelo cinema ultrapassava a esfera audiovisual. Esses espaços passaram a ser centros de convivência, lazer e difusão cultural nas cidades brasileiras, não apenas nas capitais. No interior, também existiam salas de cinema que movimentavam a vida cultural das comunidades.
Não é por acaso que o Brasil tem uma das mais poderosas indústrias de teledramaturgia do mundo. Essa história não começou na televisão: ela também bebeu da cultura cinematográfica que se desenvolveu no país. Muito embora a popularização da televisão e, posteriormente, a chegada do videocassete (VHS) tenham ajudado a mudar os hábitos de consumo de muitos cinéfilos, o cinema continuou ocupando um lugar especial no imaginário brasileiro.
Boa parte da população passou a substituir as telas de cinema pela televisão. Infelizmente, os cinemas de rua entraram em declínio e foram desaparecendo. Alguns deles se transformaram em igrejas evangélicas, comércios e estacionamentos; outros migraram para os shopping centers.
Salvador ainda preserva cinemas, como o Cine Glauber Rocha, e outras salas de arte que mantêm viva essa cultura do cinema de rua. No entanto, boa parte do público hoje frequenta as salas instaladas nos shoppings.

Considero que os cinemas de rua deveriam voltar a ocupar um espaço importante em todas as cidades brasileiras, com o apoio de políticas públicas. O cinema incentiva a cultura nacional, cria ambientes saudáveis para as novas gerações e oferece um espaço de lazer para pessoas de todas as idades. Cinema é vida!
Nos últimos anos, nos emocionamos com filmes nacionais que levaram verdadeiras multidões às salas de cinema. Tivemos produções premiadas nos maiores festivais de cinema do mundo, inclusive no Oscar. Nada disso poderia existir sem o papel que os cinemas de rua desempenharam na disseminação da cultura cinematográfica no Brasil.

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Que esse movimento cresça cada vez mais e que possamos ver novos cinemas de rua surgindo por todo o país, com muitos filmes brasileiros ocupando novamente a grande tela. Afinal, o nosso cinema é uma eterna paixão da nossa gente.
Josias Gomes
Engenheiro agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia
