“Educação não é privilégio.”
Anísio Teixeira nasceu na querida cidade de Caetité, na Bahia, e pensou o Brasil a partir da educação. O educador baiano tinha um sonho: universalizar a educação pública de qualidade. Hoje, cada estudante de baixa renda que frequenta escolas públicas, sobretudo em tempo integral, representa uma parte do sonho desse educador que marcou época e se tornou o Patrono da Escola Pública Brasileira.
Anísio defendia que cada criança e jovem brasileiro tivesse acesso a uma educação capaz não apenas de promover a formação intelectual dos estudantes, mas também de criar condições para que se transformassem em cidadãos críticos, conscientes de seus direitos e capazes de participar da vida pública. Uma missão que entrava em conflito com os interesses de setores reacionários da ditadura e de parte das elites econômicas da sociedade civil, que viam na alienação do povo uma forma de dominação e exploração das massas.
A maneira libertadora como Anísio concebia a educação ultrapassava os muros das escolas e representava um projeto de país no qual o conhecimento não era privilégio dos mais ricos, mas um direito de todos. Por meio de seu trabalho de campo, identificou que muitas mães passavam o dia trabalhando e que seus filhos não tinham o devido suporte educacional e social. Daí surgiu a ideia de uma educação em tempo integral, unindo formação intelectual, atividades culturais, esportes, artes, alimentação e convivência social. A proposta era oferecer às crianças uma experiência educativa que contemplasse todas as dimensões do desenvolvimento humano.
O pensador criou o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, conhecido como Escola Parque, inaugurado em Salvador, em 1950. Também teve participação fundamental na criação da Universidade de Brasília (UnB) e da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), além de ser signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Sua brilhante trajetória e sua vida foram interrompidas durante a ditadura. Tudo isso mostra como um regime ditatorial, que persegue intelectuais, pensadores, artistas, entidades e todo tipo de opositor, pode causar danos irreversíveis a um país.

A educação brasileira ainda enfrenta muitos desafios, e isso também se deve aos anos de chumbo, que interromperam e comprometeram projetos educacionais de pensadores como Anísio Teixeira, Paulo Freire, Darcy Ribeiro e tantos outros. Mas também podemos nos orgulhar dos avanços que esses pensadores sonharam e que, em grande parte, se tornaram realidade: mais estudantes alfabetizados e concluindo o ensino fundamental e médio; sobretudo, mais filhos das camadas populares chegando às universidades públicas.
As conquistas da educação, apesar dos regimes de exceção, provam que o sonho de uma nação movida pela força do conhecimento pode até ser adiado, mas jamais será apagado. Na democracia, esse sonho floresce ainda mais forte.
Viva a Escola Pública Brasileira de qualidade, democrática e transformadora! Viva Anísio Teixeira e seu legado memorável para a educação do Brasil!
Josias Gomes
Engenheiro agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia.
