Gratidão, educação e os mestres que transformam vida
Gratidão é a voz da consciência que não nos deixa esquecer quem somos, de onde viemos e quem nos ajudou a nos tornarmos pessoas melhores. O depoimento de Emicida, ao agradecer à professora que dedicou parte da vida à sua educação, vai muito além do valor sentimental: é um reconhecimento do valor do magistério e de uma pessoa extraordinária que, mesmo muitas vezes mal remunerada, escolhe transformar a vida do outro.
Infelizmente, a sociedade pós-moderna vende a ideia da meritocracia como principal atributo para alguém alcançar o sucesso, quando, na realidade, ninguém conquista a glória sozinho. Eu mesmo devo muito à educação, aos meus professores e professoras. Em recente viagem a Pernambuco, com passagem pela minha terra natal, Amaraji, acompanhado de familiares, colegas e amigos, fiz questão de revisitar o Ginásio Agrícola de Escada, onde estudei como interno durante quatro anos, de 1970 a 1973.
No artigo que escrevi sobre a nossa passagem por Pernambuco, defini aqueles anos no Ginásio Agrícola da seguinte maneira: voltar à escola onde vivi parte decisiva da adolescência foi outra viagem dentro da viagem. Ali aprendi não apenas conteúdos técnicos. Aprendi disciplina, convivência, responsabilidade e, sobretudo, comecei a construir o caminho que me levaria à Agronomia e à vida pública. Por isso, identifiquei-me tanto com a fala de Emicida em tributo à sua professora Rita de Cássia, que usou o “quadrinho para educar o menino, tirá-lo do bueiro” e ajudou a fazer daquela criança um dos maiores cantores e letristas de sua geração.
Emicida é pedagógico quando utiliza sua história de vida para despertar a importância da educação na construção de um país mais justo, na valorização dos professores e, sobretudo, na necessidade de reconhecer quem esteve ao nosso lado quando éramos apenas sonhadores.

Onde quer que eu vá, levo comigo a gratidão aos meus mestres. Como diz o próprio Emicida: “Uns rimam por ter talento, eu rimo porque eu tenho uma missão”.
Josias Gomes
Engenheiro agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia.
