Maracatu é história, cultura e tradição
O maracatu surgiu em Pernambuco no século XVIII durante o período colonial brasileiro. Os primeiros registros documentais datam de 1711, momento em que as populações africanas escravizadas já haviam recriado, em solo brasileiro, parte de suas estruturas simbólicas e sociais.
Vindos de diversas regiões do continente africano — especialmente da área do Congo e de Angola — esses povos trouxeram tradições políticas, religiosas e festivas profundamente organizadas. Entre elas, estava a prática da coroação dos reis e rainhas do Congo, cerimônia que reafirmava lideranças simbólicas dentro das comunidades negras.
Essas coroações não eram apenas festas: representavam continuidade cultural, organização coletiva e afirmação de dignidade em meio à escravidão.

Aqui estão os detalhes sobre os maracatus mais tradicionais:
Maracatu Elefante (1800):
Considerado o mais antigo, fundado no Recife após uma insurreição, sendo um pilar histórico na organização das nações de maracatu.
Maracatu Leão Coroado (1863): reconhecido como o mais antigo em atividades ininterruptas.
Maracatu Cambinda Brasileira (1918): destaque entre os maracatus rurais (ou de baque solto) da Zona da Mata, conhecido por manter tradições centenárias sem interrupção.
O Maracatu Nação (ou Baque Virado) tem registros de origem desde 1711, focando na corte imperial, enquanto o Maracatu Rural surgiu com trabalhadores da cana-de-açúcar, consolidando-se no início do século XX.
Josias Gomes
Conselheiro do TCE-BA