Museus Contra o Esquecimento
Infelizmente, o Brasil é o país que mais recebeu africanos escravizados em todas as Américas. Foram mais de três séculos de exploração desumana, que deixaram chagas profundas na sociedade brasileira. Já a Bahia foi responsável por receber entre 1,3 milhão e 1,5 milhão de africanos escravizados durante o período do tráfico transatlântico.
O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, em Candeias, descende de um antigo engenho do século XVI e ajuda a contar parte desta história que, muitas vezes, o Brasil insiste em esquecer. Não é exagero dizer que as bases das riquezas nacionais foram construídas pela mão de obra escravizada, seja nos ciclos açucareiro, do ouro ou do café com leite. E, mesmo após a abolição, os descendentes dos escravizados seguiram marginalizados pelo Estado e ocupando empregos de menor remuneração.
É vital valorizar museus como o do Recôncavo Wanderley Pinho para que as futuras gerações tenham a verdadeira noção do quanto a escravidão foi cruel e ajudou a criar dois Brasis. Essa tomada de consciência coletiva é a principal ferramenta para derrotarmos o racismo estrutural ainda existente no país. Que esta iniciativa de contar a história do Brasil por meio dos museus se propague por todo o país, principalmente em cidades que exploraram o modo de produção escravista.
Que nunca mais a humanidade permita que povos sejam tratados como mercadoria. Que o Brasil, onde a elite foi beneficiária deste mal maior — a escravidão —, consiga reparar com ações concretas todo o mal e toda a opressão vivida e ainda sentida pelos descendentes de escravizados.
Josias Gomes
Devoto de Padim Ciço e orgulhoso de ser nordestino.
