O adeus a um gênio da sanfona e da música universal
Recebi, com profunda tristeza, a notícia da morte de Oswaldinho do Acordeon, um dos mais geniais músicos brasileiros. Natural de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, tinha sangue nordestino e herdou do pai, o sanfoneiro baiano Pedro Sertanejo, natural de Euclides da Cunha, o amor pela música. Pedro Baiano foi o precursor do forró em São Paulo, daí o DNA de uma música sem fronteiras.
Aliás, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia formam três grandes escolas musicais e culturais do Brasil.
Oswaldinho tornou-se um mestre da sanfona ao conseguir unir forró, xote, baião, jazz, blues e até música clássica. Provou que não existem fronteiras na arte, desde que o artista se permita explorar o que há de melhor em cada gênero, sem perder de vista a originalidade. Assim era Oswaldinho: um discípulo de Gonzagão e um representante do que há de melhor na música brasileira e mundial.
Oswaldinho dedicou praticamente toda a sua vida à música. Tinha apenas 8 anos quando gravou seu primeiro disco. Seu talento alcançou reconhecimento internacional, tanto que participou de centenas de discos ao lado de artistas de diversos países. Entre seus trabalhos marcantes estão a fusão da Quinta Sinfonia de Beethoven com ritmos nordestinos e, mais recentemente, Asa Branca in Blues.
Toda vez que nos despedimos de um gênio da arte, é como se a humanidade perdesse um pouco do seu próprio brilho. Mas, então, lembro que nomes como Oswaldinho do Acordeon deixaram uma obra colossal, capaz de amenizar essa perda inestimável e manter viva, por gerações, a luz do seu talento.
Presto meus sinceros sentimentos aos familiares, fãs e parceiros. Que sua música continue ecoando em nossos corações.
Luto
Josias Gomes
