O Agente Secreto: orgulho que não cabe em uma estatueta
Só existe um tipo de perdedor no Oscar: aquele que não compreende a grandeza de uma obra atingir o apogeu do cinema. Claro que torcemos para o filme “O Agente Secreto” arrebatar uma estatueta da Academia. Sim, em diversas partes do país preparamos uma mistura de carnaval com final de Copa do Mundo. Frustração? Jamais! Sentimos muito orgulho de Kleber Mendonça, Wagner Moura e todos que fazem parte desta obra-prima do cinema mundial.
O Agente Secreto arrebatou aproximadamente 85 prêmios nacionais e internacionais e outras 159 indicações. É sucesso de público e crítica, e confirmou que o cinema nacional está entre os melhores do mundo. Para quem vive, ama e valoriza a nossa arte e cultura, o longa é um sucesso absoluto. Já entrou para a galeria de obras do cinema que serão assistidas, estudadas, revisitadas por muitas gerações.

Talvez quem torceu contra O Agente Secreto são os mesmos que sempre torcem contra a democracia, um país pensante e de cultura pulsante. Porque o filme trata de história, memória, desmemória, relações existenciais. E Kleber Mendonça pegou a cara do Brasil, representada em cada ator/atriz, tendo Recife como palco principal para denunciar um passado que ainda não passou.

Só temos a comemorar: em 2025 e 2026, o mundo voltou a aplaudir o cinema nacional com “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. Mas o maior legado das obras de Walter Salles e Kleber Mendonça Filho foi fazer o povo brasileiro se ver nas telas do cinema. Isto é maior do que qualquer estatueta do Oscar. Que o nosso cinema nacional continue a nos emocionar e evocar o orgulho de ser brasileiro! Que venha a próxima película.
Josias Gomes
Conselheiro do TCE/BA
