Valorizar os professores é investir no futuro do Brasil
A educação e o convívio escolar marcaram tanto a nossa geração que, ainda hoje, celebramos essa época que moldou nossas trajetórias. Nada disso seria possível sem o trabalho, a dedicação e os conhecimentos transmitidos por nossos professores e professoras, os principais responsáveis por transformar nossas vidas.
Não existe educação transformadora sem a valorização dos docentes. O Dia do Professor remonta à época de Dom Pedro I, quando foi assinada uma Lei Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil, por meio das chamadas “Escolas de Primeiras Letras”. No entanto, muitos desafios ainda persistem nos dias atuais. Vejamos alguns dados de pesquisas do Instituto Semesp: 79,4% dos professores já pensaram em desistir da carreira, enquanto 67,6% se sentem inseguros, desanimados ou frustrados, em um cenário agravado pelos altos índices de estresse e adoecimento mental.

Todos os anos, o poder público, os estudantes e a sociedade, de maneira geral, reconhecem e homenageiam os professores no dia 15 de outubro. No entanto, a romantização dessa profissão, que constitui um dos pilares de qualquer nação, não pode esconder uma realidade marcada por baixos salários e pela ausência de planos de carreira para muitos profissionais. O tempo dedicado à formação e aos estudos nem sempre se traduz em uma remuneração compatível com a responsabilidade da função. Boa parte dos professores precisa se desdobrar em dois ou três empregos para alcançar uma remuneração digna, sobretudo entre aqueles que atuam na rede privada.
O Brasil precisa enfrentar, de maneira intencional e efetiva, as desigualdades salariais e as diferenças nas condições de trabalho entre as regiões e os diversos níveis de ensino. Os professores da educação básica, por exemplo, estão entre os mais prejudicados. Quando a educação é comprometida em sua base, todo o restante também sofre as consequências. Por isso, mais importante do que romantizar o Dia do Professor — uma data que merece todas as nossas homenagens — é apontar caminhos para que a educação brasileira supere os desafios que se apresentam.

Seguirei eternamente grato aos meus professores e professoras. Se hoje tenho voz ativa, minha maior contribuição e minha forma mais sincera de gratidão são defender que o magistério seja uma prioridade absoluta no Brasil. Apesar dos avanços conquistados nos últimos anos, seguiremos na luta por melhores salários, condições dignas de trabalho e preservação da saúde dos nossos mestres.
Afinal, a educação de um povo é o maior patrimônio de qualquer nação.

Josias Gomes
Engenheiro agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia.
