Vitorioso nato, Joel Lacerda está próximo da sua maior conquista
Nosso companheiro Joel Lacerda já está há um bom tempo enfrentando a rotina dura da hemodiálise — um tratamento que impõe limites severos, sobretudo para quem sempre viveu em movimento, na estrada da militância política, atividade que ele nunca exerceu pela metade, mas com dedicação inteira, daquelas que nascem da convicção e do compromisso com o povo.
Pois muito bem. Ontem esse cabra bom me ligou para contar uma notícia que encheu nosso coração de esperança: no dia 2 de março fará o transplante de rim, em Vitória, no Espírito Santo.
Na hora eu disse:
— Joel, você é um cabra vitorioso. Sua história de luta nos orgulha a todos, não é mesmo, Tomaz?
Só depois me dei conta da coincidência bonita: eu dizia que ele era um vitorioso… e o transplante será justamente em Vitória. Há encontros que a vida prepara como se fossem sinais de que a caminhada continua.
Ele, sua família, e todos nós — companheiros e companheiras — estamos numa torcida enorme para vê-lo recuperado e de volta à militância plena, como ele mesmo me disse, com aquela vontade firme de quem nunca perdeu o sentido da luta coletiva.
Quando desliguei o telefone, vieram muitas lembranças. Recordações de tantas jornadas compartilhadas, momentos em que a política deixava de ser apenas disputa e se transformava em solidariedade concreta.
Uma das cenas mais marcantes foi a tentativa de cassação do seu mandato de vereador. A praça em frente à Câmara tomada por militantes, gente simples, trabalhadores e companheiros reunidos para defender não apenas um mandato, mas uma história de compromisso. Eu estava lá. Não recordo exatamente o ano, mas lembro perfeitamente da energia daquele dia.
Em 2002, recebi dos companheiros da Articulação de Itamaraju um apoio generoso e inesquecível. Obtive uma votação extraordinária — quase cinco mil votos — fazendo dobradinha com Frei Dilson. Demorei a voltar à cidade para agradecer, acredito que só consegui ir em maio. Joel, como sempre, organizou um grande encontro no Lions Clube: falas animadas, militância alegre, clima de reencontro.
Foi então que Frei Dilson, já impaciente com minha demora para ir a Itamaraju agradecer os votos, tomou o microfone e veio pra cima de mim com gosto de gás. A plenária ficou sem entender nada. Quando percebi que Clímario se preparava para desligar o microfone, corri para evitar que o episódio virasse um incidente maior. Coisas da militância, dessas que só quem vive sabe — tensões, risos e companheirismo misturados no mesmo espaço.
Há muitos outros causos que poderíamos contar, mas hoje não é dia de lembrança longa. Hoje é dia de esperança.
Quero apenas lhe desejar todo sucesso na cirurgia, meu companheiro, para que você se recupere plenamente e volte à ação militante, lugar onde sempre esteve por vocação e por escolha.
Joel me pediu orações. Tomo a liberdade de fazer o mesmo a todos que lerem estas palavras.
Um grande abraço, meu companheiro querido.
Josias Gomes