A civilização brasileira tem raízes nordestinas e é irrigada pela força de seu povo
O Dia do Nordestino foi oficializado em 13 de julho de 2009, pela Câmara Municipal de São Paulo, como forma de homenagear os migrantes nordestinos e marcar o centenário do poeta, cantor e compositor cearense Patativa do Assaré. É extremamente necessário que outras regiões do país tenham consciência da importância dos nordestinos na construção material, intelectual, artística e cultural do Brasil.
Na verdade, o Dia do Nordestino é uma data que deveria ser celebrada e reconhecida com ainda mais intensidade por outras regiões do país do que pela própria região Nordeste. Afirmo isso porque a maioria do nosso povo já conhece a nossa importância e reconhece as contribuições nordestinas para a formação da civilização brasileira. Contudo, boa parte do Brasil ainda não pensa assim e mantém preconceitos que se arrastam há séculos.
O Nordeste é transportado para o imaginário comum do brasileiro médio de forma caricaturada. Tendo como pano de fundo a chamada indústria da seca, construiu-se a falsa ideia de que somos todos dependentes de políticas sociais de reparação histórica. Sem falar do raciocínio pitoresco de que vivemos deitados em redes, bebendo água de coco e celebrando carnavais. Esses preconceitos produzem visões rasas e, em alguns casos, até xenofóbicas. Eles também encontram respaldo na forma como somos apresentados pela mídia, pela dramaturgia e por determinadas narrativas históricas que procuram obscurecer as potencialidades do Nordeste.

O Nordeste, por ser o berço do Brasil e ter sido palco de inúmeras revoltas e lutas pela independência, forjou um caráter de resistência e insubmissão que foi fortemente combatido pelo poder central desde o período do Império. Mesmo assim, nunca deixamos de contribuir com o que há de melhor no país. Imaginem tirar do Brasil a mão de obra braçal e intelectual dos nordestinos, além de todas as nossas contribuições históricas, artísticas, culturais e gastronômicas. Certamente, não teríamos uma nação tão rica e plural como a nossa.
Nesta data marcante, temos mais é que exaltar o nosso orgulho de ser nordestinos! Reunimos força, resiliência e beleza que nos qualificam como uma verdadeira nação dentro do Brasil.
Josias Gomes
Engenheiro agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia.
