Chapéu de couro e triângulo: a cultura que vem de berço
Achei o Josias mirim — ou melhor, o pequeno Thales de apenas dois anos. Com seu chapéu de couro e triângulo na mão, ele reafirma a força da cultura nordestina, que vem de berço e não esquece nossas origens. No compasso do seu triângulo, o público canta e dança a verdadeira música que irriga a terra dos valentes.
O precioso registro de Thales regendo o conjunto e sacudindo a plateia foi postado pela página Rei do Cangaço. Para que mais pessoas tenham acesso aos conteúdos que valorizam a cultura e a história nordestina, cada um de nós precisa curtir, comentar e compartilhar esse tipo de conteúdo. Veja o exemplo de João Gomes: sucesso nacional, mas a todo momento faz questão de divulgar outros artistas, artesãos e cenários tipicamente sertanejos — e até mesmo a escolha da arquitetura da própria morada tem a identidade do Nordeste.
Enquanto existir chapéu de couro e triângulo na mão de uma criança, o futuro não será uma ameaça às tradições do povo nordestino. Mais do que uma indumentária ou instrumento musical, valorizar a identidade que representa as raízes de uma região que muitas vezes foi esquecida pelo poder central e precisou se reinventar para seguir existindo aponta o caminho de onde podemos chegar e como queremos ser vistos e lembrados pelo Brasil.
Que o exemplo de Thales se multiplique pelo imenso Nordeste. A arte e a cultura são grandes aliadas dessa nova geração, que enche o peito da gente de orgulho, pertencimento e felicidade.
Josias Gomes, engenheiro agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia.
