Educação, ciência e o Nordeste que conquista o mundo
Mais um exemplo do Nordeste que conquista o mundo. O país de Paulo Freire e Anísio Teixeira mostra que, quando a educação é levada a sério, conquistamos resultados espetaculares. O nosso destaque da vez vai para a estudante cearense Gabrielle de Oliveira Rodrigues, aluna do ensino médio que foi premiada na maior feira internacional de Ciências e Engenharia.
Estudante da Escola de Ensino Médio Luiz Girão, em Maranguape, Gabrielle ficou em segundo lugar na categoria Plant Sciences, na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), a maior feira de ciências para estudantes pré-universitários do mundo, realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ela desenvolveu um conservante natural para tomates, capaz de preservar o fruto por um período de 21 a 27 dias. E aqui reside um dos grandes diferenciais da pesquisa da cearense.
Atualmente, outros conservantes disponíveis no mercado, majoritariamente sintéticos, preservam os tomates por períodos de 12 a 18 dias, enquanto os frutos sem conservantes se deterioram entre o sexto e o 12º dia.

Vale destacar que o conservante desenvolvido por Gabrielle é natural e comestível, produzido à base de mandacaru e carnaúba — uma tecnologia essencialmente brasileira, o que amplia o mérito e a importância do estudo científico. Pela pesquisa, a estudante brasileira recebeu da ISEF um prêmio de US$ 2.000.
Para participar da maior Feira Internacional de Ciências e Engenharia, Gabrielle foi selecionada na 22ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE). Seu projeto, intitulado “RCMC – Revestimento comestível à base de mandacaru e carnaúba: uma nova alternativa como conservante de frutos”, demonstra como a ciência pode encontrar soluções naturais, sustentáveis e economicamente viáveis para desafios da produção de alimentos.
A pesquisa pode contribuir para transformar o mercado de conservação de alimentos, primeiro, por se tratar de uma tecnologia natural que pode reduzir a necessidade de produtos químicos utilizados atualmente. O segundo ponto é a economia que esse estudo pode gerar ao longo da cadeia de alimentos, ao ampliar a conservação dos frutos e reduzir perdas.
Vale destacar que na ciência, a busca pela evolução é constante. E quando uma jovem nordestina transforma conhecimento, criatividade e produtos da nossa própria terra em uma inovação reconhecida internacionalmente, temos ainda mais motivos para acreditar na força da educação brasileira.
Parabéns, Gabrielle Rodrigues! Que a sua pesquisa continue fazendo sucesso mundo afora e abrindo novas portas para a educação e a ciência brasileira!
Josias Gomes
Engenheiro agrônomo, ex-deputado federal, devoto do Padim Ciço e, atualmente, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia.
