Entre tareco e mariola, a resistência de um poeta contra o desrespeito a sua vida e obra
O desrespeito aos nomes históricos do São João continua em 2026. Já que Petrúcio utilizou o futebol para ilustrar uma situação injusta e constrangedora em relação ao desrespeito à sua participação nos festejos juninos de Caruaru, sua terra natal, quero afirmar: Petrúcio faz parte não somente da série A da música nordestina, mas entraria na seleção dos nossos artistas.
É inadmissível que a realização de eventos com alto investimento financeiro e estrutural do poder público continue a marginalizar os artistas que construíram a maior festa regional do mundo. Petrúcio Amorim criou obras-primas do nosso São João, como “Meu Cenário”, “Tareco e Mariola”, “Anjo Querubim”, “Nem Olhou Pra Mim” e “Filho do Dono” — para citar algumas do seu vasto repertório, gravadas pelos maiores nomes do forró.
A sociedade, o poder público e os artistas precisam estar vigilantes quanto a esse tipo de abuso. Nada contra qualquer artista “forasteiro” que os empresários de eventos os contratem e façam seus eventos particulares. No caso das festas públicas, que a prioridade seja sempre os nordestinos, ainda mais quando se trata de um filho da terra.
Petrúcio Amorim, parabéns pelo seu posicionamento. Esta luta é de todos nós que amamos, respeitamos e queremos preservar os nossos artistas e tradições.
Cantemos Petrúcio Amorim, poeta de Vassoural e do Brasil:
“Eu me criei
Matando a fome com tareco e mariola
Fazendo verso dedilhado na viola
Por entre os becos do meu velho Vassoural.”
Josias Gomes
Devoto de Padim Ciço e orgulhoso de ser nordestino.
