Zumbi dos Palmares: O herói real que o Brasil insiste em esquecer
Em menos de 3 minutos, a página Crônicas do Acervo consegue demonstrar a dimensão do que foi o Quilombo dos Palmares: um Brasil livre, com estruturas de Estado — apesar das perseguições coloniais — dentro do Brasil escravista. Neste “país soberano”, destaca-se a liderança e o heroísmo de Zumbi dos Palmares.
Zumbi precisou de 300 anos para ter sua luta minimamente reconhecida pelo Estado brasileiro. Mas esse reconhecimento ainda não é nem sombra do que deveria existir de fato. Porque o destino de Zumbi e de Palmares é semelhante ao de Antônio Conselheiro e de Canudos: condenados à desmemória, à caricatura, ao abandono. Justamente esses dois territórios, onde o povo estava no centro das decisões, eram uma afronta aos poderosos da época, que não admitiam qualquer ascensão das massas.
Culturalmente, a memória de Zumbi passa despercebida pela maioria dos brasileiros. Tanto é assim que as crianças do nosso país adotam heróis inventados dos EUA — da Marvel, DC, entre outros — e mal sabem quem foi Zumbi. O herói de Palmares é o único real e ajudou a salvar escravizados, indígenas e brancos marginalizados dos inimigos do povo. Não somente as crianças são levadas a esquecer os verdadeiros mártires nacionais; este é um projeto que se estende à fase adulta.

O racismo estrutural existente no Brasil passa pelo desconhecimento e, muitas vezes, pela negação da nossa própria história. A mentalidade colonizada, que vem desde Portugal, passa pela Inglaterra e França e atualmente desemboca nos EUA, dá origem à elite do atraso, que insiste em querer negar o Brasil dos brasileiros e o Brasil do Estado Democrático de Direito. Para essa minoria, Zumbi ainda é um marginal, inimigo da “Ordem e do Progresso”.
Josias Gomes
Devoto de Padim Ciço e orgulhoso de ser nordestino
